Alguém concorda com este fragmento retirado do livro "Amor Líquido' de Zygmunt Bauman?

"Em suma: para termos amor-próprio, precisamos ser amados. A recusa do amor — a negação do status de objeto digno do amor — alimenta a auto-aversão. O amor-próprio é construído a partir do amor que nos é oferecido por outros. Se na sua construção forem usados substitutos, eles devem parecer cópias, embora fraudulentas, desse amor. Outros devem nos amar primeiro para que comecemos a amar a nós mesmos."
07/06/2018 12h07

Entendo que nesse fragmento ele refira-se à dependência das relações sociais, que devamos nos valorizar

através do valor que o outro nos dá e observe, da mesma maneira que Freud o fez, essa relação em espelho, similar ao bíblico "amar ao próximo como amamos a nós mesmos" como o mecanismo a manter nossa espécie viva, o fundamento moral de nossa sociedade. É de retroalimentação o círculo de amor( na manutenção social).
É um movimento antinatural, principalmente agora, na liquidez dos afetos e descartabilidade imediata das relações, amar o outro, e necessita de um esforço esse amor. E mesmo que sejamos seres sociais, que dependamos das redes de afeto, temos alimentado nossas relações com instabilidade. Compreendo que qdo Bauman aponta o amor-próprio como resultado do amor do outro, como reconhecimento de si como ser merecedor de amor, é apenas mais uma peça na engrenagem dos afetos que precisam estar juntos e sólidos( em contraposição à liquidez corrente) e são codependentes para que a sociedade funcione saudavelmente. Dependemos do amor do outro, mas vivemos tempos em que o amor é quase impossível, descartamos relações com facilidade, nos movimentamos com rapidez imensa, portanto, é cada vez mais raro amarmos e sermos amados, e, portanto, é raro amarmo-nos.