Não é algo novo, mas foi revivido pelo feminismo. Mas essa ideia de que o
culto do feminino era o que prevalecia antigamente é um mito. A presença das deusas não era tão mais expressiva que a de deuses na antiguidade; o que a mulher moderna tem é uma necessidade narcísica de adoração de seu próprio aspecto feminino, e daí sua obsessão pelas projeções culturais que coloquem os arquétipos femininos acima de tudo. No fundo é uma compensação de um complexo de inferioridade, e raras as vezes é resultado de uma espiritualidade bem fundamentada. A religião pós-modernista, ou da modernidade tardia, se preferir assim chamar, é a religião do culto ao homem, à imagem refletida do anthropos na divindade. Todo movimento secularista moderno é uma só, a adoração do homem. As mulheres só estão se encaminhando pro resultado natural da "morte de Deus" nietzscheana, o que significa encontrar em si mesmo a própria potência e a própria divindade.