29/11/2025 12h23

Napoleão é o símbolo máximo da sanguinária Revolução Francesa — e, felizmente, de seu fim.

Em

poucas palavras, foi para o Estado aquilo que Lutero foi para a Igreja Católica; em vez de implementar reformas, que eram absolutamente necessárias (pois a França desde o séc. XV sofria com uma nobreza que concentrava poder, interferia em nomeações episcopais e colocava a Igreja, efetivamente, sob a tutela do Estado francês), Napoleão institucionalizou a Revolução na forma de um império: alcançou o poder por golpe e manipulação de plebiscitos, revogou muito do que havia de bom (guildas, corporações de ofício, universidades e outras comunidades com personalidade jurídica) para, em seu lugar, deixar a burocracia do Estado moderno.

Ordens religiosas, paróquias, hospitais e obras de caridade tinham patrimônio próprio e autonomia, que foi confiscado e reduzido. Redefiniu dioceses ao seu gosto, reduziu o número de bispos, e tornou o clero um funcionário público.

Os tribunais eclesiásticos, que administravam a justiça em muitas matérias espirituais, como matrimônio, foram extintos e substituídos pela justiça estatal. Em suma, permitiu apenas a Igreja Católica na exata medida do seu interesse — uma Igreja que servia ao Estado francês, e não à salvação das almas. Séculos antes, Henrique VIII fizera o mesmo, apenas para poder legitimar suas relações extraconjugais.

No Ancien Régime, as comunidades rurais tinham direitos consuetudinários; cada uma tinha suas próprias normas locais e uma vida comunitária. Sob Napoleão, tudo isso foi unificado e os governantes de cada comunidade passaram a ser prefeitos nomeados pelo centro, afastando a população daqueles que a governa.

A educação, antes formada sob uma ordem natural, orgânica, é monopolizada pelo Estado, que substitui colégios jesuítas e universidades por instituições estatais laicas, como a Université Impériale, para manter o controle ideológico do regime.