Vocês namorariam com uma mulher que mostrou ao mundo a sua periculosidade de relacionamento com algo tão canalha e red flag como tatuagem de borboleta?
Eu: nem para um caralho
Eu: nem para um caralho
Agora uma boa para vocês:
Ela está sozinha no apartamento, polegar em transe, deslizando o Instagram
como quem reza sem fé. Desfile infinito de mulheres "ricas", "livres", "autênticas", todas marcadas a tinta: corpos transformados em currículos visuais de pertencimento. A tatuagem não é adorno, é senha. Aos poucos, sem anúncio formal, o cérebro aceita: isso é o normal agora. Ela olha para os próprios braços lisos com a mesma estranheza com que se olha um erro de digitação no próprio nome.No trabalho, na faculdade, no café: todos sinalizados, todos decodificáveis. Menos ela. O desconforto não é estético, é zoológico: estar fora do bando é biologicamente ofensivo. Então ela converte as poucas economias em urgência e corre ao estúdio de tatuagem. Não quer um desenho, quer uma prova. Algo visível, algo perguntável. Vasculha o Pinterest atrás de uma com "significado" pronto, embalado, suficientemente vago para parecer profundo. Porque quando perguntarem, ela não pode dizer a verdade: que foi medo. Ela dirá o mantra universal da época: que tem um puuuuuuta significado.
Dado este exposto, eu JAMAIS namorarei ou sequer terei amizade com qualquer mulher que tenha qualquer tatuagem.