11/01/2026 19h44

A pessoa dita psicoticamente deprimida, que tenta se matar, não faz por "desesperança" ou por

qualquer convicção abstrata de que os ativos e os débitos da vida não batem. E certamente não porque a morte pareça subitamente atraente. A pessoa em que a agonia daquilo atinge um certo nível insustentável, vai se matar exatamente como uma pessoa encurralada vai acabar pulando da janela de um arranha-céu em chamas. Não se iluda sobre as pessoas que pulam de janelas em chamas, o pavor que elas tem de cair de grandes alturas ainda é tão grande como seria para você ou para mim ali parados especulativamente na mesma janela só dando uma olhada na vista. Ou seja, o medo de cair é uma constante. A variável aqui é o outro terror: as chamas do incêndio. Quando as chamas chegam perto demais, cair para a morte se torna um terror algo menos terrível que o outro. Não é desejar a queda, é o pavor das chamas. No entanto, ninguém que esteja lá na calçada olhando para cima e gritando "não faça isso!" e "força" entende o salto, no fundo. Você teria que ter estado pessoalmente acuado e sentindo as chamas para entender de verdade um terror bem maior que a queda.