Eu sempre fui assim, desde pequena, sempre que estou abcecada por algum menino eu sinto prazer em ficar imaginando casada com ele e ele mandando em mim, me proibindo de fazer o que eu quero e até sendo agredida por ele. Mas só sinto prazer nisso quando estou muito apaixonada pela pessoa, quando vejo falar que uma pessoa estranha feia ou que eu não sinto nada faz isso, sinto ódio e nojo
anônima
Fantasia não é realidade. O que você descreve não é gostar de violência doméstica de
verdade. Se fosse, qualquer pessoa faria isso e você sentiria prazer, o que claramente não acontece. Quando vem de alguém que você não deseja, você sente nojo e ódio. Isso já diz muita coisa.O prazer aí não está na agressão, está na dinâmica emocional: controle, entrega, pertencimento, intensidade. É muito mais sobre se sentir escolhida, desejada, “importante” para aquela pessoa específica do que sobre apanhar ou sofrer de fato.
Quando existe paixão, o cérebro mistura amor com submissão, poder e perda de controle. Quando não existe vínculo, a mente reconhece aquilo como ameaça real, por causa disso a repulsa.
Mas, é essencial separar fantasia de vida real. Violência doméstica não tem nada de erótico. É medo, trauma e destruição emocional. Fantasia pode até existir, mas relacionamento saudável não passa por dor, humilhação ou agressão.
Entender isso não é se julgar. É se proteger. E se isso gera confusão ou incômodo, terapia ajuda justamente a entender de onde essa associação vem e como não repetir padrões que machucam.
Porque quando você se deixa levar por fantasias assim, você começa a confundir desejo com perigo. E isso é extremamente arriscado. A fantasia pode parecer controlável na sua cabeça, mas na vida real ela vira permissão silenciosa para comportamentos que colocam sua integridade física e emocional em risco.
Quando você romantiza esse tipo de dinâmica, mesmo sem perceber, você abaixa seus próprios limites. E pessoas abusivas reconhecem isso muito rápido. Violência real não vem com aviso, nem com estética, nem com intensidade apaixonada. Vem com medo, isolamento e perda de autonomia.
Fantasia não pode guiar escolhas reais. Porque quando guia, não é mais fantasia, é exposição ao perigo. E nenhuma paixão vale a sua vida, sua liberdade ou sua saúde mental.