25/01/2026 22h52

I eu aqui pensando comigo mesmo: Ser ateu não é apenas o oposto de ser

crente; é, antes, uma posição diante do mundo e do conhecimento. É a liberdade de ler tudo, ouvir tudo, ver tudo, sem interditos sagrados ou fronteiras impostas pelo medo da heresia. O ateu não se sente ameaçado pelas ideias, porque não precisa defendê-las como dogmas, mas compreendê-las como construções humanas.

A fé, em muitas de suas formas, condiciona o olhar a seguir uma linha reta, sem desvios, sem atravessar os limites do permitido. Instrui-se o fiel a não pisar fora, a não olhar além do mundo fechado do dogma, a proteger-se do “mal” e da “tentação”. Tapam-se os ouvidos e os olhos para aquilo que é considerado profano: não ler, não tocar, não ouvir, não ver o mundo tal como ele é, mas apenas como deve ser segundo a crença.

O ateu, o agnóstico ou qualquer espírito livre lê a Bíblia não por submissão, mas por curiosidade; não por fé, mas por desejo de compreensão. Lê como quem estuda a história do pensamento humano, seus medos, esperanças, símbolos e tentativas de dar sentido ao absurdo da existência. Ler o sagrado, para ele, não é um ato de devoção, mas de investigação.

Nesse sentido, o ateísmo não é um vazio, mas um espaço aberto. Simboliza a liberdade de escolha, a liberdade de pensamento e a liberdade intelectual: a coragem de encarar todas as narrativas — inclusive as religiosas — sem ajoelhar-se diante delas, mas também sem a necessidade de negá-las cegamente. É a recusa do interdito e a afirmação do pensamento como exercício contínuo de questionar, compreender e ir além.