Por que algumas religiões insistem em pregar que sexo e prazer é pecado?
Eu gostaria muito que um médico psiquiatra fosse nesses centros aconselhar as pessoas de que esse tipo de castração é extremamente maléfica e prejudicial para o organismo humano... É análogo a alguns tipos de mutilação....
Eu não sou a favor de nada que não seja saudável, de acordo com fontes científicas comprovadas.
E está claro que pessoas que reprimem o impulso sexual têm maiores índices de depressão e de comportamentos paranóicos. De acordo com a literatura científica ( eu não inventei isso).
Eu gostaria muito que um médico psiquiatra fosse nesses centros aconselhar as pessoas de que esse tipo de castração é extremamente maléfica e prejudicial para o organismo humano... É análogo a alguns tipos de mutilação....
Eu não sou a favor de nada que não seja saudável, de acordo com fontes científicas comprovadas.
E está claro que pessoas que reprimem o impulso sexual têm maiores índices de depressão e de comportamentos paranóicos. De acordo com a literatura científica ( eu não inventei isso).
A castração dos desejos pela religião
A religião, em muitas de suas expressões históricas, institui uma
espécie de castração simbólica dos desejos, particularmente daqueles que se manifestam no registro do prazer sexual. Longe de ser um acidente ou mero excesso moral, essa operação revela-se um mecanismo profundo de ordenação da existência humana: o sexo é rebaixado da esfera do natural ao reino do suspeito, do impuro, do perigoso — como se o corpo, em seu pulsar elementar, constituísse uma ameaça à ordem espiritual ou à salvação da alma.Essa demonização do prazer sexual opera, portanto, como dispositivo de controle — não apenas social e cultural, mas ontológico. Ao declarar o desejo culpado por princípio, a instituição religiosa instaura uma cisão no interior do sujeito: o corpo torna-se o Outro a ser vigiado, disciplinado, sublimado ou extirpado. O ideal ascético — pobreza, humildade, castidade — não é mera virtude; é uma estratégia de domesticação da potência vital, uma forma de fazer o homem virar contra si mesmo, de transformar a energia erótica em ressentimento, culpa e obediência. O que se castra não é apenas o ato, mas a própria capacidade de afirmar a vida sem mediação transcendente.
Assim, a verdadeira libertação talvez não resida em abolir a religião, mas em atravessar sua ilusão de profundidade: ver que por trás da promessa de transcendência habita, muitas vezes, o mais sutil instrumento de empobrecimento da terra — a terra do corpo, do desejo, da finitude alegre e sem culpa. Reabilitar o prazer sexual como parte da grande saúde nietzschiana seria, então, um gesto de grandeza ontológica: devolver ao humano o direito de dizer sim àquilo que ele já é, antes mesmo de qualquer dogma haver pronunciado seu não.