11/10/2018 22h43

O Ciro Gomes fez uma aposta, e perdeu, e confiou em quem não devia, e

tomou o cu. Não o conheço pessoalmente nem nada. Mas tenho um razoável arrazoado intelectual pra analisar o discurso, os livros, a biografia além do que aparece no senso comum, e eu aposto que ele sequer é esquerdista.

A única herança intelectual dele da esquerda brasileira - aquela que já sumiu desde a ascensão da New Left nos anos 60 - é o nacionalismo (contrariamente a esquerda tradicional fora da América Latina) e a valorização do Estado como fator de aceleração da diminuição do atraso histórico entre nós e o capitalismo dos países desenvolvidos.

O discurso eleitoral foi basicamente pra flertar com os petistas convictos e pra tentar seduzir o PT a pensar no país e não no Partido. E nisso ele foi traído (de novo), bem fudidamente.

Eu entendo quem o xinga e etc. Ele abraçou essas bandeiras e tem que pagar o preço. Mas se alguém conversar comigo numa mesa de bar, sem compromisso ou raiva eleitoreira, eu coloco os argumentos a favor da minha interpretação - não aqui.

Essa ideia de renúncia foi bobagem da mente da Kátia. Nunca for minimamente realista. Ciro deve estar mesmo no Rivotril, porque nos velhos tempos eu até acho possível que ele apoiasse o Bolsonaro pelo que o PT fez com ele em nome de domar o eleitorado de cabresto do nordeste pra garantir uma boa bancada.

Acho que ele está velho, cansado, e a campanha dele (que começou em 2016) quase o levou a morte. Ele tá esgotado. Gostaria de pensar que ele tentaria de novo, mas duvido, e entendo o ponto dele. Eu afirmo, por pura afinidade intelectual, que ele entende o Brasil mais do que os concorrentes. Mas não entendeu o momento político e mental do povo brasileiro, ou entendeu e não pode agir de acordo, enfim...

Que fique em paz. E que o Bolsonaro, que vai ganhar, faça alguma coisa boa e certa pelo nosso país.