27/09/2019 17h28

Não acho que seja algo pra falar, mas tem uma que considero muito especial, tinha

uma família que morou na rua da minha casa, era uma casinha bem largada e o aluguel eles pagavam arrumando ela, já que o pai era pedreiro e o locatário fornecia o material, estavam desempregados e tinham uns cinco filhos, todos pequenos mas muito educados. Eu ajudava na catequese e sempre via o filho mais velho indo para as aulas, muito gentil e amoroso. Lembro que a mulherada da rua se reuniram e conseguiram fogão, geladeira e roupas. Naquele final de ano eu havia conseguido um trabalho temporário para as festas, em uma loja também na rua da minha casa. Quando recebi o primeiro salário, estava bem triste com a perda do meu avô materno, receber a noticia de sua morte as três da manhã através da bondade de uma vizinha que 'emprestava' o telefone foi angustiante. Daquele dinheiro que era pouco consegui separar uma parte para um celular, o mais barato que encontrei e o que sobrou comprei em alimentos pra a família, pedi pra uma senhora que já fazia esse trabalho de arrecadar alimentos para os necessitados entregar sem citar meu nome, afinal eu não poderia manter essa ajuda. Lembro de ver as crianças correndo dentro da garagem da casa "disputando" os chocolates que havia enviado junto. Jamais esquecerei.