Como não reproduzir o racismo numa sociedade estruturalmente racista?

A luta antirracista não é uma guerra de negros contra brancos.

Talvez você tenha uma visão “americanizada” de como o racismo opera. O fato do racismo não ter sido institucionalizado oficialmente por aqui, com leis ou regimes de segregação, e a criação do mito da democracia racial geraram uma falácia que ainda perdura, a de que não existe racismo no Brasil.

Esse mito permeia nosso imaginário de forma tão eficiente que muitas vezes não somos capazes de definir situações de racismo de forma objetiva e os brancos brasileiros tem uma imensa dificuldade em admitir que são racistas, embora quase todos conheçam alguém racista.

Esse último dado demonstra que é sempre mais fácil perceber o racismo no outro do que assumir o próprio racismo. Entretanto, é uma verdade dura e incontestável que no Brasil todo branco é potencialmente racista.

Neste momento, peço aos meus amigos brancos que não interrompam a leitura. Não se trata de uma generalização, mas da simples constatação de que, inseridos numa dada estrutura, nossa tendência é reproduzir aquilo que essa estrutura suscita.

Portanto, num país estruturalmente racista, calcado numa expressão de poder fundamentalmente branca, brancos serão racistas. Mas não porque o querem, e sim porque são forjados, educados, instruídos dentro dessa estrutura que define os lugares sociais de superioridade para brancos e subalternidade para negros. Desconstruir essa estrutura é o compromisso da luta antirracista.

Como a sociedade brasileira se funda numa estrutura de poder escravagista, todo nosso processo de colonização sempre colocou pretos e pobres em lugares sociais rejeitados pelos brancos, isto é, pelos detentores de poder.

A principal função do racismo é negar ou mesmo destruir a humanidade do negro e sua maior arma sempre foi a morte, tanto real qnto simbólica.

Texto completo: https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/a-luta-antirracista-nao-e-uma-guerra-de-negros-contra-brancos

O que acham desse recorte? Faz sentido?
anônima
anônima
anônimo
anônimo
15/12/2019 05h50

Nem li o teu texto, confesso. Mas vou deixar um comentário que achei pertinente sobre

o racismo e as leis anti-racistas do Brasil feito por uma embaixadora negra francesa em uma entrevista na Cultura. Ela disse que achava que essa questão não devia ser tratada como caso de polícia, não se devia censurar a fala dos racistas. Porque isso impede o debate sobre o assunto. Eu concordo com ela.