Para você que é ateu, qual situação desconfortável que já passou?

Muitas pessoas que me conhece nem sabe que sou ateu, gera muito conflito, minha avó não pode nem saber um negócio desse.

Uma tia minha já encheu meu saco com isso, já perdi uma ficante quando eu falei que era ateu, ela surtou.
anônimo
anônimo
16/11/2021 18h15

Minha família nunca foi muito religiosa, apesar de que quando eu era pequeno íamos na

igreja e eu tenha feito catequese.
Na verdade, eles se tornaram menos crédulos com o tempo, pq acredito que sempre estiveram naquela posição, de grande parte dos católicos, de apenas acreditar por conveniência; algo mais cultural, do que um pensamento crítico individual. Lembro que quando comecei a não querer ir pra igreja minha mãe falava "vc tem que ir. É importante". E eu: "mas pq é importante, eu não acredito nessas coisas e não me sento confortável nesse ambiente". Ela achava ruim, mas logo parou de ir também. Hoje, já penso que eles iam só por conta dos filhos, talvez por pensar que a religião nos tornaria adultos melhores (tenho vontade de perguntar isso pra eles). Mas isso não é uma relação verídica. Não preciso seguir uma doutrina religiosa para ser um ser humano decente.

Teve um momento também que sempre tentaram me converter.
Quando mudei pra uma escola pública, ser ateu era meio alienígena. Eu comentei com uma pessoa pq ela me perguntou de qual igreja eu era e o cara espalhou pra todo mundo que eu era ateu. Chegou gente em mim perguntando se eu era SATANISTA. O cara falou até pra professora de história e ela disse o óbvio, que era normal e não deveria ser motivo de hostilização.
Isso confirmou um preconceito bem primordial que eu tinha quando criança, quando ia à igreja e via mais pessoas de condições financeiras mais baixas que a de meus pais. Invariavelmente associava religião à pobreza e isso ficou enraizado na minha psique, criando uma rejeição que seria embasada apenas posteriormente. Quando mais velho, notei que realmente essa questão religiosa é muito mais presente em classes mais baixas. Meus colegas de outras escolas acreditavam sim em Deus, mas era mais esse negócio de conveniência. A gente nem falava sobre isso.
Esse último parágrafo parece aporofóbico. Mas era apenas a interpretação de uma criança sobre essa questão.