Quem "come" quem? É o homem que "come" a mulher ou a mulher que "come" o homem?

Vamos analisar algo muito lógico. Vejamos, é o pirulito que come a boca? Ou a boca que come o pirulito? No verdadeiro contexto, o correto seria a mulher "devorar" ou "comer" os homens. E aí? Já foram "comidos" ou "devorados" hoje? Homens...

Ah, só para salientar, eu não concordo com esse termo de um "comer" o outro, a menos que seja um canibal. Estou fazendo essa pergunta porque vejo muitos homens falando que vão "comer" uma mulher, quando, na realidade, eles é que serão comidos! Hahaha.
anônimo
anônimo
17/11/2017 11h30

O simbolismo desta fase está associado com a incorporação do outro em si. Uma maneira

de a criança introduzir e, fantasiosamente, possuir a mãe. É através desta simbiose que a identificação da criança com aspectos do outro ocorre. Karl Abraham (1877-1925), discípulo de Freud denominou esta fase como “canibalesca”.

Para a psicanalista Melanie Klein (1882-1960), todas as pessoas possuem impulsos destrutivos no começo da vida. A expressão “sádico-oral”, que aparece na teoria kleiniana, está relacionada ao prazer da sucção, que normalmente é sucedida pelo ato de morder. Se a criança não obtiver gratificação ao sugar, tentará morder para satisfazer-se. O seio é confundido com a imagem da mãe e desperta na criança, de acordo com Klein, sentimentos ambíguos. Por um lado o amor em ser alimentada e por outro o ódio e a inveja da mãe quando esta guarda o seio e interrompe a amamentação. Com o amadurecimento psíquico, estes sentimentos vão se organizando, pois a criança os elabora e substitui pelo movimento de reparação e sublimação.

Esta agressividade e raiva destacada na teoria de Klein são a base da violência do canibalismo com propriedades sexuais, em que o sadismo é um elemento perverso. Esta característica sádico-perversa seria um conflito vivido pela criança no processo de individuação, ou seja, é no fato de se desprender do corpo da mãe que a criança a elegeria como uma mãe má. Na dinâmica do canibalismo o ato de comer o corpo do outro seria uma forma de acabar com o mal e ao mesmo tempo atenuar este conflito da separação. Esta é simbologia relacionada ao canibalismo de teor sexual. Curiosamente, muitas vezes morder, chupar e beijar faz parte do repertório de comportamentos afetivos e sexuais. Expressões do tipo “como você é gostoso” ou “vou te comer” se remetem, portanto, a um desejo de introduzir o outro para si. Armin Meiwes, o “canibal de Rotemburgo” declarou que seu ato tinha sido “como um casamento, algo que o alçou a uma condição sobrenatural.