P: O que vocês acham de pessoas que pautam a vida na fé, mas nunca leram o livro da sua religião?
No catolicismo, as Sagradas Escrituras obviamente têm sua importância, mas elas não são o fundamento último da fé. Elas são, afinal, produto do trabalho humano, ainda que inspiradas por Deus. Muito antes de haver Bíblia já havia a Igreja de Cristo, o testemunho e as pregações dos apóstolos. As epístolas de Pedro e Paulo, por exemplo, só foram escritas trinta anos depois do evento da crucificação. Só tem sentido crer na coleção de livros se cremos, antes, na infalibilidade dos homens que a elaboraram e que a preservaram até os dias atuais. E é por isso que a própria obra não está acima da Igreja, mas compartilha com ela a sua autoridade. Como católico, não entendo que seja possível ao cristão acolher como verdadeiro todo esse legado da Igreja para de repente concluir que os padres e bispos de hoje estão errados e substituí-lo pela autoridade de um pastor ou pela autoridade da "minha própria interpretação". É assim que frequentemente o leigo renasce como um "paxtor", com interpretações as mais absurdas possível, como o "toma a mulher amada de seu amigo e adultera". Assim, a leitura das Escrituras, embora valiosa, não é de modo algum obrigatória. Em muitos casos, o leigo sequer possui instrução suficiente para interpretá-la.
P: O que vocês acham das pessoas que confiam seu julgamento espiritual e existencial, em outro ser humano, sem questionar, apenas aceitando a pressão social e apelo de autoridade, sem prova alguma?
Se há alguém que não faz isso, essa pessoa tem necessariamente muitas perguntas e poucas convicções. Certamente, não é o sujeito que afirma categoricamente que "Deus não existe", ou que "a ciência é a verdade".