Se a pessoa se sente feliz nessa condição de assexualidade, sim, será melhor pra ela.
Mas para quem não consegue satisfazer os seus desejos sexuais, talvez fosse melhor pra essa pessoa a assexualidade mesmo.
Não sei se uma pessoa alossexual precisa ser escrava do sentimento. Minha impressão é que há inúmeras pessoas que conseguem viver a sexualidade de forma saudável.
E também é uma grande ilusão que isso é a única coisa que te impede de focar no que realmente importa.
Em primeiro lugar, porque não é desejável que o desejo sexual seja plenamente saciado. O desejo sexual não é uma falha, nem um vício. São as pessoas que fazem do desejo sexual isso! O sexo tem a finalidade de unir afetivamente homem e mulher. O desejo foi colocado por Deus no homem para tirá-lo de si mesmo e impeli-lo em direção ao outro. Ele não é escravidão, mas sede de comunhão. Essa eterna "insatisfação" residual nos lembra que fomos feitos para um amor que ultrapassa a nossa individualidade.
Em segundo lugar, porque qual é a finalidade de viver, senão para amar e ser amado? Tratar o afeto e a sexualidade como "desperdício de energia" é reduzir o ser humano a uma máquina de produtividade. Deus não nos criou para sermos "eficientes".
A assexualidade vista como superioridade cai no erro do dualismo: a ideia de que o corpo e seus impulsos são sujos ou desnecessários. A virtude não está em não sentir (isso seria uma anestesia da alma!), mas em governar o que se sente para que o desejo se torne um caminho de santificação e entrega, e não um simples instinto.