Não é que homem "enjoa" do sexo. Vou responder com minha formação bioquímica. Neuroquimicamente, a
queda da libido é um processo biológico adaptativo que atinge AMBOS os sexos. O cérebro humano não foi projetado para manter o estado de hiperativação da fase de limerência (que é a paixão inicial) por tempo indeterminado.No início da relação, o sistema de recompensa mesolímbico é inundado por dopamina e noradrenalina toda vez que interagimos com o parceiro. Esse estado é neuroquimicamente comparável ao vício, onde a novidade atua como um potente gatilho de excitação. Com o passar do tempo, ocorre um processo chamado habituação sensorial. O cérebro, em busca de homeostase, reduz a reatividade dopaminérgica aos mesmos estímulos, já que o parceiro agora é um elemento conhecido e seguro.
Nessa transição, o controle neuroquímico passa para o sistema de afiliação, dominado pela ocitocina e vasopressina. Esses neuropeptídeos promovem o vínculo e a estabilidade emocional, mas possuem um efeito modulador que muitas vezes inibe as vias de busca e desejo sexual agudo. É uma troca biológica, perdemos a urgência da dopamina para ganhar a segurança da ocitocina.
Isso afeta a todos. Nas mulheres, o desejo costuma migrar do modelo espontâneo para o desejo responsivo, que é processado com maior influência do córtex pré-frontal e depende do contexto emocional. Nos homens, a vida estável e o convívio prolongado reduzem o nível de testosterona, diminuindo a busca ativa por sexo.
Portanto, a queda da libido em relacionamentos longos é um fenômeno NORMAL e fisiológico. Esperar que a biologia mantenha o mesmo nível de desejo de forma passiva é um erro que gera frustrações desnecessárias. O desejo em longo prazo não é um evento espontâneo, mas um estado que necessita ser cultivado através de novos estímulos que reativem as vias dopaminérgicas, rompendo a previsibilidade do sistema. Então parem de romantizar a ideia de relacionamentos que a paixão inicial vai durar para sempre.