Por que as pessoas têm síndrome de protagonista?
Ontem no Carnaval tinha uma criança trabalhando pegando latinhas, uma situação bem triste. Uma menina do meu lado parou o garotinho, começou a dar palestra pra ele de um jeito bem estranho (uma mulher mais velha até cutucou ela pra intervir) e quando ele saiu a moça começou a fazer o maior drama gritando "Eu to tremendo! Tô chorando!" (Não estava) Como se fosse ela ali catando reclicagem. Depois d...
eles respondem
1M
Você se mostrou incomodada com a mulher performar uma empatia excessiva, pois sabe que, no fundo, ninguém veste os chinelos do garoto; ninguém está ali, dia após dia, catando as latinhas no lugar dele; ninguém sabe como é a vida dele, menos ainda se seria mais fácil ou mais difícil se ele fosse proibido de exercer essa atividade, que ele obviamente realiza por necessidade.
Mas será que em alguma medida você não faz o mesmo que ela? Será que vocês são tão diferentes assim, ou será que é apenas uma diferença no grau de "empatia"? Afinal, você descreveu o que viu como "uma situação bem triste", "descaso", algo frustrante ("Sai puta").
Será que não faz o mesmo ao buscar respaldar sua visão de mundo sobre trabalho infantil na autoridade policial? Será que o fato de você sentir-se frustrada com o "descaso" dos policiais não evidencia, propriamente, a sua insatisfação com os outros não enxergarem o mundo com as mesmas lentes que você usa?
Para mim é bem claro que, se você descreve algo como "descaso" (sem importância), é porque, no fundo, tem a presunção de achar que detém o conhecimento acerca dos fenômenos a ponto de saber o que é importante/melhor (em sentido amplo e abstrato) para ele. "Eu é que sei o que é melhor para ele; nem a mulher louca, nem os policiais inertes. Eles deveriam agir do modo que eu considero correto." Isso soa precisamente como uma manifestação da síndrome de protagonista para mim.
Mas será que em alguma medida você não faz o mesmo que ela? Será que vocês são tão diferentes assim, ou será que é apenas uma diferença no grau de "empatia"? Afinal, você descreveu o que viu como "uma situação bem triste", "descaso", algo frustrante ("Sai puta").
Será que não faz o mesmo ao buscar respaldar sua visão de mundo sobre trabalho infantil na autoridade policial? Será que o fato de você sentir-se frustrada com o "descaso" dos policiais não evidencia, propriamente, a sua insatisfação com os outros não enxergarem o mundo com as mesmas lentes que você usa?
Para mim é bem claro que, se você descreve algo como "descaso" (sem importância), é porque, no fundo, tem a presunção de achar que detém o conhecimento acerca dos fenômenos a ponto de saber o que é importante/melhor (em sentido amplo e abstrato) para ele. "Eu é que sei o que é melhor para ele; nem a mulher louca, nem os policiais inertes. Eles deveriam agir do modo que eu considero correto." Isso soa precisamente como uma manifestação da síndrome de protagonista para mim.