Fãs de Harry Potter, o que acharam do Snape ser negro na série?
Eu sinceramente não vejo como isso pode interferir negativamente o enredo da série, visto que nos livros a gente é induzido pela JK Rolling a ODIAR o Snape, por ele ser:
- Preconceituoso
- Cruel
- Injusto
Ele odiava os sangues-ruins (mestiços), sendo ele, um mestiço... quando os marotos fazem bullying com ele a gente fica é feliz, pq ele é odiado!!! Ai no final, vem o plot-twist, ele era um gra...
- Preconceituoso
- Cruel
- Injusto
Ele odiava os sangues-ruins (mestiços), sendo ele, um mestiço... quando os marotos fazem bullying com ele a gente fica é feliz, pq ele é odiado!!! Ai no final, vem o plot-twist, ele era um gra...
eles respondem
anônimo
4M
Acho difícil conciliar a mudança étnica com a história do Snape. Ele nasceu e cresceu em Spinner's End, uma cidade do interior, daquelas tão pequenas e pobres que todos viviam de um mesmo negócio: um moinho da Revolução Industrial inglesa. Filho de uma família desestruturada da classe trabalhadora inglesa, em um período que era majoritariamente branco, com pouquíssimas populações negras fora de Londres.
Embora compartilhasse com negros dores marginalizantes (o bullying, a exclusão) e ressentimentos, a forma como interpretamos essa experiência de isolamento é diferente: os desafios navegados por uma minoria racial na Inglaterra de 1960 eram completamente distintos daqueles de uma família da classe trabalhadora branca.
Por exemplo, Snape é descrito como crescendo cercado em sua casa de prateleiras de livros, que ele consumia de maneira voraz, como uma forma de escapismo. Esses livros são representativos de uma família que em algum momento teve posses, mas caiu em desgraça com as transformações econômicas, o que não era, de forma alguma, a realidade de nenhuma família negra.
Se na história original o conflito entre o Potter (rico, talentoso, popular, confiante) e o Snape (isolado, pobre, estranho) tinha raiz nessa diferença de classe social e na admiração que Snape desenvolve, por meio dos estudos, por Sonserina, na adaptação parece-me improvável que isso não seja transformado em uma questão racial. Isso porque a questão racial tem um peso tão grande socialmente que acaba ofuscando toda e qualquer outro tipo de conflito.
Embora compartilhasse com negros dores marginalizantes (o bullying, a exclusão) e ressentimentos, a forma como interpretamos essa experiência de isolamento é diferente: os desafios navegados por uma minoria racial na Inglaterra de 1960 eram completamente distintos daqueles de uma família da classe trabalhadora branca.
Por exemplo, Snape é descrito como crescendo cercado em sua casa de prateleiras de livros, que ele consumia de maneira voraz, como uma forma de escapismo. Esses livros são representativos de uma família que em algum momento teve posses, mas caiu em desgraça com as transformações econômicas, o que não era, de forma alguma, a realidade de nenhuma família negra.
Se na história original o conflito entre o Potter (rico, talentoso, popular, confiante) e o Snape (isolado, pobre, estranho) tinha raiz nessa diferença de classe social e na admiração que Snape desenvolve, por meio dos estudos, por Sonserina, na adaptação parece-me improvável que isso não seja transformado em uma questão racial. Isso porque a questão racial tem um peso tão grande socialmente que acaba ofuscando toda e qualquer outro tipo de conflito.