Os padres se masturbam?

eles respondem
Se o fizerem, qual será a implicação ou relevância para quem pergunta? Será que perguntam isso sobre todos aqueles que considera uma autoridade moral, ou só lhes incomoda que o pecado seja praticado por um sacerdote? Ou será que talvez o incômodo se deva à aparente hipocrisia entre ensinar que algo é errado e ao mesmo tempo incorrer no erro?

A ideia de que uma pessoa só seria digna para ensinar a palavra de Deus, para ministrar os sacramentos e para apontar os erros alheios se fosse ela mesma livre de erros é uma heresia chamada de donatismo, condenada pela primeira vez no ano 313 d.C., pelo sínodo de Roma e, subsequentemente, no ano 314 d.C. pelo Concílio de Arles.

Ela surge com as perseguições do imperador Diocleciano contra cristãos no norte da África. Alguns dos sacerdotes, para evitar punições, cooperaram com as autoridades romanas e entregaram seus livros sagrados. Ao retornarem para a vida comum, foram rechaçados pela população, que os chamou de traditores (que significa aqueles que traíram ou aqueles que entregaram), insistindo que a Igreja verdadeira deveria ser composta apenas por "puros", que clérigos que tivessem pecado gravemente perdiam sua autoridade espiritual, que sacerdotes ou bispos que traíram a fé não poderiam administrar sacramentos válidos e que, portanto, batismos praticados por sacerdotes e ordenações praticadas por bispos "corruptos" precisavam ser refeitos para serem válidos. O "certo", segundo eles, seria resistir e sofrer o martírio.

A resposta mais contundente contra essa heresia veio de um dos maiores doutores da Igreja, o Santo Agostinho. Ele demonstrou que os sacramentos agem ex opere operato, isto é, "pela própria ação realizada", e que a sua validade vem de Jesus Cristo, não da perfeição moral do sacerdote (algo que Cristo não exigiu de absolutamente ninguém). A autoridade dos padres e bispos ordenados procede, não de sua pureza moral, mas da sucessão apostólica. A Igreja contém pecadores como qualquer outro lugar.