Por que as pessoas acham gente velha "fofinha"?
A primeira vez que ouvi alguém dizer que um velho era "fofo" eu estranhei porque sempre associei o adjetivo fofura com crianças e animais peludinhos, não com pessoas da terceira idade.
Existe explicação pra tal fofura dos velhos? (Que particularmente eu não sei onde está).
Existe explicação pra tal fofura dos velhos? (Que particularmente eu não sei onde está).
eles respondem
1h
Os idosos têm uma certa mansidão de espírito, que parece uma resignação diante do fato de que os tempos são outros, e que já não mais lhes pertencem. Também já não dispõem de muito mais tempo aqui, seja para realizarem grandes obras seja para qualquer outra coisa.
Dessa maneira, envelhecer torna-nos efetivamente vulneráveis, principalmente porque percebemos que tudo o que fazemos deixamos como legado que não tem garantia de qualquer contrapartida. Nem mesmo a atenção e o afeto dos filhos e netos é possível assegurar. E, assim, em solidão, muitos vivem silenciosamente. Suas memórias, da infância, da juventude, dos pais e de outros familiares, as pequenas idiossincrasias caem no esquecimento, e ficam cada vez mais próximas de morrerem com eles.
É claro que há idosos que chegaram ao fim de suas vidas sem ninguém porque não fizeram por merecer, mas há muitos que trabalharam, produziram, viveram romances, paixões, constituíram família, mas simplesmente foram progressivamente escanteados por descendentes que julgaram excessivamente extenuante o trabalho de cuidar daqueles que um dia cuidaram deles, sem que fosse obrigado por força de lei.
Em alguma medida, compadeço-me dessa solidão. Acho também que não é o bastante tratarmos o mundo na mesma medida por que somos tratados. Não há virtude em ser mais do mesmo; a virtude está superar, em fazer o bem quando o bem não é esperado.
Dessa maneira, envelhecer torna-nos efetivamente vulneráveis, principalmente porque percebemos que tudo o que fazemos deixamos como legado que não tem garantia de qualquer contrapartida. Nem mesmo a atenção e o afeto dos filhos e netos é possível assegurar. E, assim, em solidão, muitos vivem silenciosamente. Suas memórias, da infância, da juventude, dos pais e de outros familiares, as pequenas idiossincrasias caem no esquecimento, e ficam cada vez mais próximas de morrerem com eles.
É claro que há idosos que chegaram ao fim de suas vidas sem ninguém porque não fizeram por merecer, mas há muitos que trabalharam, produziram, viveram romances, paixões, constituíram família, mas simplesmente foram progressivamente escanteados por descendentes que julgaram excessivamente extenuante o trabalho de cuidar daqueles que um dia cuidaram deles, sem que fosse obrigado por força de lei.
Em alguma medida, compadeço-me dessa solidão. Acho também que não é o bastante tratarmos o mundo na mesma medida por que somos tratados. Não há virtude em ser mais do mesmo; a virtude está superar, em fazer o bem quando o bem não é esperado.