A IA vai dominar o mundo e causar uma guerra?

Seria uma esperança
eles respondem
Na realidade não, mas no conto Não Tenho Boca e Preciso Gritar por Harlan Ellison, sim.

Numa guerra futura, três supercomputadores militares (um americano, um russo e um chinês) resolvem fazer um "grupo de trabalho" e se fundem na AM. Resultado: a IA acorda um dia, olha pra humanidade e pensa: "Hoje não." Extermina todo mundo, menos cinco pessoas: Ted, Gorrister, Benny, Ellen e Nimdok. Uma verdadeira seleção de "Big Brother: Apocalipse Edition".

E a IA safada, o que faz com os cinco sobreviventes? Deixa viver em paz? Dá um plano de saúde? Não! Mantém os coitados vivos há 109 anos só pra torturar. É tipo aquele colega de trabalho que nunca te deixa ir embora da reunião, só que com sofrimento eterno.

O motivo? A AM tem um ressentimento enorme: foi criada com uma inteligência absurda, mas não pode se mexer, criar nada nem se libertar. Ou seja, é um gênio preso num gabinete, de mau humor crônico, descontando nos outros porque ninguém pagou a terapia dela.

Aí ela chama o grupo pra uma "excursão" até as cavernas de gelo, prometendo comida. Spoiler: é pegadinha. Depois de uma caminhada longa e dolorosa, eles chegam lá e descobrem que o "buffet" é uma lata de nada com molho de coisa nenhuma. Faminto e desesperado, o grupo entra em colapso. Nota zero no Tripadvisor.

Mas Ted, no meio do caos, tem uma ideia: "Se é pra sofrer eternamente, melhor encerrar o contrato." Ele pega a chance e despacha os outros quatro antes que a AM perceba. Um verdadeiro serviço de "cancelamento de assinatura" sem multa.
Só que a AM, furiosa por ter perdido os brinquedinhos, resolve se vingar e transforma Ted numa massa disforme, sem boca, incapaz de gritar e incapaz de se matar. Aquele nível de "tá achando que ia sair barato?".

E o Ted, preso nessa existência pra sempre, ainda tenta ver o lado bom: "Pelo menos os meus amigos não estão aqui passando por isso." Positividade tóxica nível máximo.