Sistema tributário na América Latina aprofunda desigualdade ao tributar mais consumo do que renda e patrimônio

anônimo
Ao priorizar a tributação do consumo em vez da renda, governos da região perpetuam a desigualdade, em vez de reduzi-la, apontam especialistas.

Os impostos financiam escolas, hospitais, estradas e aposentadorias e, em teoria, também deveriam ajudar a diminuir as desigualdades. No entanto, na América Latina — uma das regiões mais desiguais do mundo —, os sistemas tributários parecem não cumprir ess...
eles respondem
O problema é a informalidade.
Estima-se que, no Brasil, algo entre 30% (no mínimo) e 50% (mais provável) do agregado econômico circule informalmente, sem registro fiscal e portanto sem rastreabilidade.

Se a Receita for tributar mais pesadamente a renda, um naco imenso da sociedade vai pagar imposto nenhum, sendo que uma parte desse povo é gente muito rica - traficantes de drogas, contrabandistas, sonegadores, etc... Há uma cultura de informalidade, combinado com lacunas estruturais de fiscalização. Quando os governos apertam o cerco, a sociedade reage (desde o empresário sonegador até o feirante que vende pastel, tudo sem nota fiscal).

Portanto, tributar o consumo é a única forma de "obrigar" todo mundo a pagar pelo menos alguma coisa, porque até os sonegadores e traficantes consomem.

Não é o ideal, evidentemente, longe disso. Mas não há como resolver a curto prazo. Se você fosse eleito presidente, não teria como modificar essa realidade em um ou dois mandatos - é uma missão que leva no mínimo uma geração inteira.